SAMPA

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O futuro da cidade está na capacitação da sociedade paulistana...

quinta-feira, 11 de maio de 2017

O PRECONCEITO é a praga mais perigosa e mortífera do século XXI. O mundo precisa urgentemente de um antídoto capaz de anular ou neutralizar os efeitos desse veneno.



O preconceito é horrendo em todas as formas, caracterizações e meios por que se apresenta, embora negado por todos que servem de veículo para possibilitar suas diversas manifestações.
Seus hospedeiros transitam por todos os meandros dos relacionamentos direto ou indiretamente causando danos psicológicos e comportamentais. Está alojado na consciência humana sem diagnose, portanto, poderoso e fortalecido por suas flexibilizações, segue protegido dilacerando o equilíbrio mental, físico e espiritual de seus acometidos.
A cor da pele que é o sinal mais legítimo de diversidade humana e deveria ser respeitado como princípio de celebração da convivência, não simplesmente pela tolerância mais principalmente pela cooperação mutua de afeto pela semelhança de natureza, em vez disso, figura como marca de alerta para segregação socioeconômica, cultural e educacional.
Minha emoção exaltou o caráter de Angélica Dass ao proferir seu discurso  “The beauty of human skin in every color” por ocasião de uma palestra que deu ao TED talks (ted.com). É simplesmente de arrepiar quando ela inicia seu relato dizendo:
 Eu nasci numa família cheia de cores. Meu pai é filho de uma empregada doméstica de quem ele herdou um tom de pele chocolate intenso. Ele foi adotado por pessoas que conheço como meus avós. A matriarca, minha avó, tem pele de porcelana e cabelos brancos como algodão. Meu avô tinha um tom de pele entre iogurte de baunilha e de morango, assim como meu tio e meu primo. Minha mãe tem pele cor de canela, filha de uma brasileira com uma pitada de avelã e mel e um homem com pele cor de café com leite, mas com muito café. Ela tem duas irmãs. Uma delas tem a pele na cor de amendoim torrado e a outra, também adotada, está mais para bege, como uma panqueca.   Por ter crescido nessa família, a cor da pele nunca foi importante pra mim. Fora de casa, porém, as coisas logo se mostraram diferentes. A cor tinha vários outros significados. Lembro-me das minhas primeiras aulas de desenho na escola que me provocavam um monte de sensações contraditórias. Eram empolgantes e criativas, mas não entendia por que um lápis com um único tom de pele. Eu era feita de pele, mas ela não era rosada. Minha pele era marrom e as pessoas diziam que era negra. Eu tinha sete anos de idade e uma bagunça de cores na minha mente. Mais tarde, quando levava meu primo à escola, geralmente achavam que eu era babá dele. Ao ajudar na cozinha, em festas na casa de amigos, as pessoas achavam que eu era a empregada. Fui até tratada como prostituta só porque estava andando sozinha na praia com amigos europeus. Muitas vezes, ao visitar minha avó ou meus amigos em casas de classe alta, pessoas me diziam para não usar o elevador social, porque, afinal, com esta cor de pele e com este cabelo, alguns lugares "não são pra mim". De certa forma, me acostumei e passei a aceitar isso, em parte. Porém, algo dentro de mim continuava a se incomodar com isso. Anos depois, me casei com um espanhol, mas não um espanhol comum. Eu escolhi um com a cor de pele de uma lagosta queimada de sol. Desde então, uma nova pergunta começou a me perseguir: "Qual será a cor dos seus filhos?" Como podem imaginar, isso é o que menos me preocupa, mas, pensando bem, com a experiência que eu tinha, minha história me levou a fazer da fotografia o meu ofício e foi assim que nasceu o Humanae. O último país do mundo a abolir a escravatura é o país onde eu nasci, o Brasil. Ainda temos que trabalhar muito para abolir a discriminação. Ela ainda é uma prática comum no mundo todo e não vai desaparecer sozinha.  (Angelica Dass)  Artista plástica especialista em fotografia. Ela vive e trabalha em Madrih, nasceu no Brasil e tem um denso histórico acadêmico.








terça-feira, 25 de abril de 2017

Amar no facebook, não é o verbo intransitivo de Mario de Andrade e nem o transitivo da nossa gramatica, mas é muito perigoso.


Autor: Adilson Ferreira dos Santos

Nunca houve e provavelmente jamais haverá uma época como esta  em que brotam declarações de amor de forma tão opulenta e instantânea, onde a beleza e a felicidade é providenciada num clic, conhecido como self ou selfie (Corruptela do inglês self, que significa eu próprio. É um neologismo originado da locução self-portrait, autorretrato).
O imperativo do ego que ilude os olhos de quem vê, fazendo parecer um devotamento desinteressado, nada mais é do que alimento suplementar sutil, dos desejos escondidos nas entranhas do ser, ignorando a vocação original para a introspecção humana, para se entregar a uma espécie de “Pais das Maravilhas” onde tudo é frugal, e o que predomina é o eufemismo coletivo das amizades, dos relacionamentos e das parcerias.
O narcisismo doentio, aflorado sem disfarces, estanca a solidão real e verdadeira que se oculta por trás de sorrisos, caras e bocas, colo, costas e cabelos, pupilas, peles e pelos, barrigas e coxas.
Um caleidoscópio de apelos interiores por atenção, reverência e pequenas porções de ilusão, como partes de um amor inventado, como disse (Cazuza).
E segue o poeta na dura constatação do amor inventado; dizendo...    “Eu nunca mais vou respirar, se você não me notar, eu posso até morrer de fome, se você não me amar”.
Como num mosaico vivo, corpos e faces sem anonimato num livro disponível para loucas depravações, engenhosas e inconfessáveis elucubrações paranoicas, substancia barata no ser humano oferecida a seus iguais.
No facebook, quem ama, precisa ostentar o amor. O ser amado exposto num vernissage insano, como um troféu resignado e agradecido pela suposta lisonja.
É a impiedade infiel corrosiva que prospera indutiva, envolvente e resoluta. O amor do facebook, apesar de selado, carimbado e rotulado, não tem autenticidade.
O amor no facebook, tem começo, meio e fim; mensurável em tempo, distancia, valor, circunstância e oportunidade.