SAMPA

SAMPA
O futuro da cidade está na capacitação da sociedade paulistana...

terça-feira, 25 de abril de 2017

Amar no facebook, não é o verbo intransitivo de Mario de Andrade e nem o transitivo da nossa gramatica, mas é muito perigoso.


Autor: Adilson Ferreira dos Santos

Nunca houve e provavelmente jamais haverá uma época como esta  em que brotam declarações de amor de forma tão opulenta e instantânea, onde a beleza e a felicidade é providenciada num clic, conhecido como self ou selfie (Corruptela do inglês self, que significa eu próprio. É um neologismo originado da locução self-portrait, autorretrato).
O imperativo do ego que ilude os olhos de quem vê, fazendo parecer um devotamento desinteressado, nada mais é do que alimento suplementar sutil, dos desejos escondidos nas entranhas do ser, ignorando a vocação original para a introspecção humana, para se entregar a uma espécie de “Pais das Maravilhas” onde tudo é frugal, e o que predomina é o eufemismo coletivo das amizades, dos relacionamentos e das parcerias.
O narcisismo doentio, aflorado sem disfarces, estanca a solidão real e verdadeira que se oculta por trás de sorrisos, caras e bocas, colo, costas e cabelos, pupilas, peles e pelos, barrigas e coxas.
Um caleidoscópio de apelos interiores por atenção, reverência e pequenas porções de ilusão, como partes de um amor inventado, como disse (Cazuza).
E segue o poeta na dura constatação do amor inventado; dizendo...    “Eu nunca mais vou respirar, se você não me notar, eu posso até morrer de fome, se você não me amar”.
Como num mosaico vivo, corpos e faces sem anonimato num livro disponível para loucas depravações, engenhosas e inconfessáveis elucubrações paranoicas, substancia barata no ser humano oferecida a seus iguais.
No facebook, quem ama, precisa ostentar o amor. O ser amado exposto num vernissage insano, como um troféu resignado e agradecido pela suposta lisonja.
É a impiedade infiel corrosiva que prospera indutiva, envolvente e resoluta. O amor do facebook, apesar de selado, carimbado e rotulado, não tem autenticidade.
O amor no facebook, tem começo, meio e fim; mensurável em tempo, distancia, valor, circunstância e oportunidade.   

  

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Cidadania: Se for um princípio contido no universo da educação, é um elemento puramente imaginário à deriva pelo infinito



É insustentável a teoria de que alguém viva democraticamente em pleno gozo dos direitos políticos que são atribuídos a um indivíduo, se os cerca de 86 bilhões de neurônios no sistema nervoso humano são vitimados do vicio a subordinação ao domínio de pseudos abastados do conhecimento cientifico, tecnológico e literário. Controladores dos recursos materiais e financeiros.
Pessoas arrebanhadas todos os dias, seja no campo ou na cidade, sempre com um pretexto de conseguir; emprego, atendimento médico, amparo social.
Enquanto isso, há o total desmoronamento da dignidade moral, em nome de um padrão miserável de estabilidade emocional.
A eterna carência da tão sonhada educação, que poderia trazer a luz cidadania, transforma a sociedade a cada dia num verdadeiro Brejo da Cruz, como descreve (Chico Buarque) em sua canção. A cruel diferença, é que na realidade nua da sub-humanidade, não chega a ser novidade a criançada se alimentar de luz. Alucinados ficam azuis e desencarnam meninos, meninas, homens, mulheres, jovens e velhos. É triste constatar que há milhões desses seres que se disfarçam tão bem, cumprindo seu destino vida de gado como refere-se (Zé Ramalho) em outra canção memorável, onde supostamente o povo apesar de fugir inutilmente da ignorância, sonham com melhores tempos idos, contemplando a vida, presos numa cela, ainda acham que são felizes acreditando ser um doutor, padre ou policial, que está contribuindo com sua parte para um belo quadro social. (Raul Seixas).
A realidade amarga está na caminhada torturante de cada qual que segue carregando seu ouro de tolo como estandarte da agonia de jamais haver inversão desta ordem perversa que paira sobre as cabeças alimentando a injustiça e desigualdade, por causa da ausência total da educação que poderia trazer a luz a cidadania. Sem educação não haverá cidadania, mas reinará para sempre o voraz fogo petulante dos pseudos abastados.

Autor: Adilson Ferreira dos Santos