Ivanira Gomes de Aquino Santos, professora da Escola de Tempo
Integral Antonio José de Sucre, resolveu implantar algo bem diferente na
escola. Para trabalhar as "Experiências Matemáticas” ela criou o projeto
"Culinária na Escola". A primeira impressão é que uma coisa não tem
nada a ver com a outra, mas a professora mostra que é o contrário.
Na primeira aula prática os alunos fizeram um lanche saudável
e também a leitura de embalagens, checando data de validade, SAC, peso e tabela
nutricional. Eles também contaram quantos pães havia na embalagem e. com esta
quantidade, quantos lanches poderiam fazer. Fizeram a decoração do lanche e
pesaram depois que ficou pronto. "O resultado foi muito positivo e, depois
desta primeira atividade, desenvolvemos outras receitas", conta Ivanira.
A motivação para a criação do projeto, que começou há anos,
foi a falta de informação dos alunos sobre alimentação saudável e até mesmo
desrespeito com os alimentos. Segundo a ela, os alunos vinham de escolas
localizadas em comunidades carentes e jogavam no lixo parte do lanche que
recebiam da escola. *Em outra escola eu
dava uma oficina de alimentos e via o desperdício. Eu e outros colegas
começamos a pedir para que os alunos não jogassem mais as frutas. A fruta mais desprezada era a banana. Um dia,
fizemos uma coleta de bananas na escola e criamos uma receita simples de torta
de banana com canela e convidamos os alunos para uma aula prática, como forma
de conscientizá-los, lembra a professora.
Quando começou a lecionar na ETI, Ivanira achou possível
desenvolver o mesmo projeto de conscientização. "As aulas iniciaram em
fevereiro apesar do meu horário ser a partir das 12H30, em alguns dias eu
entrava mais cedo só para observar os alunos no almoço. Presenciei o mesmo tipo
de comportamento em relação aos alimentos; rejeitavam as hortaliças e frutas e
alguns até todo o cardápio. No intervalo do lanche, o refrigerante e os
salgadinhos estavam presentes", diz.
Para trabalhar o "Culinária na Escola", Ivanira
começou a pesquisar receitas que não utilizassem o fogão, uma vez que a cozinha
da escola náo poderia ser utilizada pelos alunos. A professora também buscou
pratos em que fosse possível abordar a pirâmide alimentar e ainda contemplar os
conteúdos de matemática, para reforçar o aprendizado do currículo formal.
"Foi um desafio. Em 2012, quando comecei, resolvi
trabalhar com a sala que apresentava mais problemas de disciplina e de aprendizado
Levei fita métrica e balança. Os alunos foram pesados e medidos durante a aula.
Consegui o interesse e atenção da maioria criando expectativas sobre a realização
da primeira aula de culinária que foi um 'lanchinho saudável'. Foi um sucesso!
A partir dai, realizei várias aulas sobre o lanche que envolveram conteúdos
como: (higiene e segurança alimentar), comunicação e expressão, matemática,
sustentabilidade, consumo consciente e nutrição. Para ligar a atividade com o
conteúdo da oficina de Experiências Matemáticas, eu chamei atenção dos alunos
para a função social da matemática observando a tabela nutricional, a data de
validade e peso das embalagens e do produto final, enumera a professora.
Em 2013, Ivanira deu continuidade ao projeto realizando
oficinas de Qualidade de Vida e Espaços Educadores Sustentáveis. "Logo no
inicio do ano agendei uma visita a empresa Vigor e a Pullman, que tem o
Programa O Sabor do Saber. Realizamos as duas visitas e a Pullman também
visitou a escola realizando uma palestra dinamica sobre alimentação
saudável", comenta.
Para animar ainda mais os seus alunos, a professora, em suas
aulas práticas no Projeto Culinária, utiliza músicas que tenham alguma ligação
com a atividade ser preparada. No dia em que o cardápio foi salada de frutas e
sucos, por exemplo, Ivanira apresentou aos alunos a música Seu Melão, do Trem
da alegria.
Já para a receita do Vatapá, a canção escolhida foi a mesma
do nome do prato, do compositor Dorival Caymmi.
"Acredito que tenho conseguido influenciar positivamente
quanto aos alimentos saudáveis. A tabela nutricional ainda é complicada para
eles, porém a pirâmide alimentar se tomou familiar. Percebi o interesse dos
alunos também por livros de receitas, porque estão trazendo de casa revistas ou
livros para me mostrar, além de consultar os exemplares disponíveis na biblioteca
da escola, Ivanira acredita que a cultura do fast-food, salgadinhos e alimentos
fritos ainda é muito forte, mas já percebe mudança nas escolhas dos alunos.
"Vou continuar o projeto em 2014 e pretendo aperfeiçoá-lo, principalmente
porque tenho o apoio da direção e da coordenação da escola. Afima: A culinária
tem sido um diferencial, pois consigo a atenção dos alunos que ficam na expectativa
de colocar a "mão na massa”. Acho que os peguei pelo estômago. Finaliza.
Fonte: Intranet Secretaria da Educação do Estado de São Paulo
Fonte: Intranet Secretaria da Educação do Estado de São Paulo
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